sábado, 31 de março de 2007

sexta-feira, 30 de março de 2007

domingo, 25 de março de 2007

Caminhando no Programa...Filosofia/ 10º - (1)

" PARA NOS TORNARMOS BONS FILÓSOFOS PRECISAMOS UNICAMENTE DA CAPACIDADE DE NOS SURPREENDERMOS..."

" (...) Segundo um filósofo que viveu há mais de dois mil anos, a filosofia surgiu da capacidade que os homens têm de se surpreender.O homem acha tão estranho viver que as perguntas filosóficas surgem por si mesmas:
(...) - Como se formou o mundo? Haverá uma vontade ou um sentido por detrás daquilo que acontece? Haverá vida depois da morte? A existência humana terá alguma singularidade que a distinga da existência biológica de todos os outros seres?
Pensa no que sucede quando observamos um truque de magia: não conseguimos perceber como é possível aquilo que estamos a ver. E perguntamo-nos: como é que o ilusionista conseguiu transformar dois lenços brancos de seda num coelho vivo?
Para muitos homens o mundo parece tão inexplicável como o coelho que um ilusionista retira subitamente de uma cartola até então vazia.
No que diz respeito ao coelho, percebemos claramente que o ilusionista nos enganou. O que pretendemos descobrir é como nos enganou. Quando falamos sobre o mundo, a situação é diferente. Sabemos que o mundo não é pura mentira, uma vez que nós estamos na Terra e somos uma parte do Universo. Na verdade, somos o coelho branco que é retirado da cartola. A diferença entre nós e o coelho branco é apenas o facto de o coelho não saber que participa num truque de magia. Connosco passa-se de modo diferente. Sentimos que tomamos parte de algo misterioso, e gostaríamos de esclarecer de que modo tudo está relacionado.
P.S. No que diz respeito ao coelho branco, o melhor é talvez compará-lo com o conjunto do Universo. Nós, que vivemos aqui, somos parasitas minúsculos que vivem na pele do coelho. Mas os filósofos procuram trepar os seus pêlos finos, de modo a poderem fixar nos olhos o grande ilusionista".
Gaarder, Jostein , O Mundo de Sofia ( Adaptado)
Tópicos de Reflexão:
  • Relacionar o extracto final do texto (Post Scriptum) com a totalidade da sua mensagem.
  • Identificar (caracterizar) a personagem do " Grande Ilusionista".
  • Atribuír um título ao texto.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Brincando com os conceitos :a propósito do Ser e do Conhecer

Actividade:

Pensa, agora, nas metamorfoses de um ser vivo:

Ovo; Larva; Casulo ou Crisálida; Borboleta.

Responde às seguintes questões:

1.O que é, afinal, esse ser a que chamamos " borboleta"?
- Será o ovo, a larva, a crisálida, ou nenhuma dessas hipóteses?
2. Se cada ser contém em si, os princípios da sua própria transformação, como poderemos conhecê-lo ?
3. Se a larva é a negação do ovo e o casulo a negação da larva (e se cada uma das metamorfoses é a negação de um estado anterior ) o que é afinal esse ser ?
4. Estabelece relações entre os problemas colocados neste questionário e a
"história do Pintor".

segunda-feira, 19 de março de 2007

Um dos mais belos e controversos textos sobre a problemática do Ser e do Conhecer


FRAGMENTOS


Da Natureza:

Os corcéis que me transportavam conduziram-me para o além, para onde a minha alma podia desejar.Lançaram-se os corcéis na gloriosa estrada dos deuses, orientando o sábio através de todas as cidades, e assim me arrebataram, para o além me guiaram, os hábeis ginetes que puxavam o meu carro.

Meus passos eram orientados pelas ninfas. Incandescente nos cubos das rodas, que moviam o carro, o eixo fazia ouvir o grito estridente da flauta, quando as filhas de Hélio, saindo da nocturna morada, para me conduzirem à luz, deixaram cair das mãos os véus que lhes velavam os rostos. Eis as portas que abrem para os caminhos da Noite e do Dia.(...) Em frente das portas, sobre a larga estrada, as ninfas conduziram o carro e os corcéis. A divindade recebeu-me com benevolência, tomou a minha mão direita, apertou-a na sua, e disse:

« Benvindo sejas, jovem, a quem as imortais aurigas trouxeram, tu, a quem este carro trouxe à nossa morada! Não foi uma sorte funesta que te guiou para estas paragens, mas sim o amor da Justiça e da Verdade.»


( E assim falou a Divindade, iniciando o jovem filósofo (Parménides) na senda da Luz filosófica. E mais disse:)


« Deves ser elucidado sobre todas as coisas, já do coração incomovível da Verdade, já das humanas opiniões. Não deve dar-se o menor crédito às opiniões, mas devem conhecer-se para que, pelo estudo, saibamos qual o juízo a fazer da opinião. Afasta o pensamento dessa via e não deixes que o hábito te leve a olhar para este caminho às cegas, às surdas, dizendo palavras insensatas! Aplica a razão para responderes ao enigma de que falei,(...) medita o que se subtrai à visão e o que deixa ver-se!


( E assim falou a Divindade, exortando o jovem filósofo à descoberta das agruras da Iniciação Filosófica, com uma subtil promessa de Luz numa caminhada que se faz " contra a corrente").


Parménides foi iluminado pela Divindade.


Que diria o nosso Pintor ( quando apenas dispõe de um peixe para lhe ensinar o caminho do Ser e da Verdade? )




domingo, 18 de março de 2007

Brincando com os conceitos :a propósito do Ser e do Conhecer



Era uma vez um Pintor...

Era uma vez um pintor que tinha um aquário e, dentro do aquário, um peixe encarnado. Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor encarnada, quando a certa altura começou a tornar-se negro a partir- digamos- de dentro. Era um nó negro por detrás da cor vermelha e que, insidioso, se desenvolvia para fora, alastrando-se e tomando conta de todo o peixe. Por fora do aquário, o pintor assistia surpreendido à chegada do novo peixe.

O problema do artista era este:obrigado a interromper o quadro que pintava e onde estava a aparecer o vermelho do seu peixe, não sabia agora o que fazer da cor preta que o peixe lhe ensinava. (...)

(...) Ao meditar acerca das razões por que o peixe mudara de cor precisamente na hora em que o pintor assentava na sua fidelidade, ele pensou que, lá de dentro do aquário, o peixe, realizando o seu número de prestidigitação, pretendia fazer notar que existia apenas uma lei que abrange tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Essa lei seria a metamorfose.

Compreendida a nova espécie de fidelidade, o artista pintou na sua tela um peixe amarelo.

Herberto Helder, Poesia Toda

Brincando com os conceitos : Hominização


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